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Como Transformar um Imóvel Arrematado em um Ativo Pronto para Revenda

  • mailanandacfer
  • 26 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Arrematar um imóvel em leilão é, para muitos investidores, apenas o primeiro passo de uma operação patrimonial mais ampla. O verdadeiro objetivo, na maioria dos casos, não é simplesmente adquirir um bem, mas transformar esse imóvel em um ativo líquido, rentável e pronto para revenda. Essa conversão exige mais do que sorte: requer estratégia, técnica jurídica e visão de mercado. A operação não se encerra no lance vencedor — ela apenas começa.


A transformação do imóvel arrematado em um ativo de mercado começa com a regularização documental. Isso significa providenciar o registro da propriedade em nome do arrematante, com base na carta de arrematação (no caso de leilões judiciais) ou na escritura pública (em leilões extrajudiciais).


Para que esse registro seja efetivado, é necessário reunir certidões pessoais do comprador, pagar o ITBI, apresentar comprovantes de quitação e, por vezes, resolver pendências cartorárias ou urbanísticas que impedem o ingresso do título. Um imóvel que não está regular no registro não pode ser transferido a terceiros com segurança, o que limita sua atratividade comercial.


Superada a etapa documental, o segundo desafio é a posse do imóvel. Imóveis arrematados nem sempre vêm livres e desimpedidos. Em muitos casos, estão ocupados por antigos proprietários, herdeiros, inquilinos ou terceiros sem vínculo jurídico definido.


O investidor precisa, então, adotar as medidas cabíveis para desocupar o bem, o que pode envolver notificações, acordos extrajudiciais, ou, quando necessário, ações de imissão na posse, reintegração ou despejo. A posse plena é um dos principais fatores que determinam o valor de revenda de um imóvel — dificilmente alguém comprará um bem com problemas de ocupação pendentes.


Uma vez regularizado e desocupado, o imóvel deve ser avaliado sob a ótica de mercado. Isso inclui vistorias técnicas, levantamento de características estruturais, diagnóstico de patologias construtivas e estimativa do valor de mercado atualizado.


Em muitos casos, o investidor opta por realizar reformas de valorização, com foco na estética, funcionalidade e adequação ao perfil do público comprador. Pequenas intervenções, como pintura, ajustes elétricos, melhoria de fachada e paisagismo podem representar ganhos expressivos na percepção de valor. No entanto, toda reforma deve ser estrategicamente dosada para não comprometer a margem de lucro da operação.


Ao mesmo tempo, é fundamental cuidar da apresentação comercial do imóvel. Isso inclui a elaboração de material fotográfico profissional, descrição atrativa, regularização junto ao cadastro municipal e, quando aplicável, o acompanhamento de um corretor de imóveis com experiência em revendas pós-leilão. Um imóvel bem apresentado — com documentação completa, livre de ocupação, regularizado e com boa aparência — se posiciona com força no mercado, inclusive em portais imobiliários e plataformas de venda digital.


Outro ponto crucial está na estratégia tributária e contratual da revenda. O investidor precisa avaliar, com apoio jurídico e contábil, o melhor regime de tributação aplicável à operação de venda — se como pessoa física ou jurídica, se sob o regime de lucro presumido ou simples nacional, nos casos de atividade recorrente.


Também deve contar com minutas contratuais bem estruturadas, que assegurem os direitos do vendedor, garantam o adimplemento e formalizem com clareza todas as condições da transação, especialmente quando há saldo parcelado, financiamento ou entrada de terceiros.


Transformar um imóvel arrematado em um ativo pronto para revenda não é uma ação pontual, mas um processo técnico e multidisciplinar, que combina Direito Imobiliário, registro público, engenharia, marketing e planejamento financeiro.


O sucesso dessa operação não depende apenas do preço da arrematação, mas da capacidade de agregar valor, remover entraves e apresentar o imóvel de forma competitiva no mercado.


Por isso, o investidor estratégico age com método: analisa o imóvel ainda na fase pré-leilão, planeja o custo total da regularização, antecipa os desafios da posse e organiza sua estrutura de revenda antes mesmo de concluir o registro.


Assim, quando o momento da alienação chegar, o imóvel já estará preparado para gerar retorno — com segurança jurídica, liquidez e valorização real.


Por: Ananda Fernandes - advogada especialista em leilão de imóveis.

 
 
 

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Ananda Fernandes - Advocacia e Consultoria

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